"Parte-se do
pressuposto antropológico de que o homem é um “animal hermenêutico”, isto é,
que se orienta no mundo através da atividade fundamental da interpretação.
Ricoeur recusa uma abordagem determinista da ação humana. A sua defesa da
liberdade pressupõe uma antropologia filosófica que coloca a ênfase nas
capacidades do ser humano, naquilo que o ser humano é capaz de fazer, ou
deveria ser capaz de fazer se não existissem por vezes impedimentos estruturais
que podem tender a amputar essas possibilidades. Em Soi-même comme un autre (1990) são descritas quatro capacidades
“básicas” de toda a vida humana: a capacidade de falar, de agir, de contar a
sua história e de ser moralmente imputável. O exercício destas capacidades e a
atestação da existência das mesmas prova a existência do si, do sujeito que interpreta e se
interpreta através do desenrolar da sua existência no mundo".
RICOEUR; P., O Discurso da Ação, Edições 70, 2013, pág. 13.
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