“(…) “Adolescência” vem de
adolescere, palavra latina que significa “crescer”. Quando penso na etimologia
da palavra, encontro o primeiro passo do percurso a percorrer pelos adultos. A
adolescência é, acima de tudo, crescimento físico e mental, maturação,
desenvolvimento. É essencial perceber que, a cada dia que passa, o jovem estará
diferente. Mesmo com avanços e recuos, na grande maioria das situações o
caminho do adolescente é uma linha sinuosa, mas nítida, até à idade adulta.
Muitos pais esquecem que alguma turbulência detetada nos seus filhos é
autolimitada e vai ser contida pela normal progressão do desenvolvimento:
descontadas as situações psicológicas, que constituem uma minoria, a autonomia
progressiva é a regra.
Se pensarmos na palavra
“adolescência” e no seu significado etimológico, verificamos que a conceção da
idade adulta se relaciona com o fim do crescimento: um adulto é uma pessoa que
parou de “crescer”, logo um adolescente é alguém incompleto, que não atingiu o
fim de um processo; (…) é alguém imperfeito, em busca de uma coisa melhor, a
adultícia (…).
Interessa agora considerar a
evolução histórica do conceito de adolescência. Podemos afirmar que até ao
século XIX a ideia não foi englobada na cultura vigente. Todos os jovens que
não prolongavam a escolaridade (os que o conseguiam pertenciam a famílias mais
favorecidas) eram empurrados para um estatuto de adulto. Com a
industrialização, passaram do campo para a fábrica, sem que existisse qualquer
período entre a infância e a adultícia. Em Portugal, como é sabido, mesmo
durante a primeira metade do século XX podíamos encontrar muitas crianças em
pleno trabalho, sem que a questão da escola obrigatória se colocasse. A nível
global, a industrialização provocou a deslocação das famílias para as cidades e
tornou premente a educação generalizada, como forma de garantir melhor
progresso social. Ao estudarem mais, as crianças mantiveram-se ligadas à
família e passaram a entrar mais tarde no mercado do trabalho: estava criado o
período de transição que hoje corresponde à adolescência”.
SAMPAIO, D., Lavrar
o Mar. Um novo olhar sobre o relacionamento entre pais e filhos, Editorial
Caminho, S.A., Lisboa, 2006, págs. 17 – 18 (adaptado).
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