quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O conceito de “Adolescência”


“(…) “Adolescência” vem de adolescere, palavra latina que significa “crescer”. Quando penso na etimologia da palavra, encontro o primeiro passo do percurso a percorrer pelos adultos. A adolescência é, acima de tudo, crescimento físico e mental, maturação, desenvolvimento. É essencial perceber que, a cada dia que passa, o jovem estará diferente. Mesmo com avanços e recuos, na grande maioria das situações o caminho do adolescente é uma linha sinuosa, mas nítida, até à idade adulta. Muitos pais esquecem que alguma turbulência detetada nos seus filhos é autolimitada e vai ser contida pela normal progressão do desenvolvimento: descontadas as situações psicológicas, que constituem uma minoria, a autonomia progressiva é a regra.
Se pensarmos na palavra “adolescência” e no seu significado etimológico, verificamos que a conceção da idade adulta se relaciona com o fim do crescimento: um adulto é uma pessoa que parou de “crescer”, logo um adolescente é alguém incompleto, que não atingiu o fim de um processo; (…) é alguém imperfeito, em busca de uma coisa melhor, a adultícia (…).
Interessa agora considerar a evolução histórica do conceito de adolescência. Podemos afirmar que até ao século XIX a ideia não foi englobada na cultura vigente. Todos os jovens que não prolongavam a escolaridade (os que o conseguiam pertenciam a famílias mais favorecidas) eram empurrados para um estatuto de adulto. Com a industrialização, passaram do campo para a fábrica, sem que existisse qualquer período entre a infância e a adultícia. Em Portugal, como é sabido, mesmo durante a primeira metade do século XX podíamos encontrar muitas crianças em pleno trabalho, sem que a questão da escola obrigatória se colocasse. A nível global, a industrialização provocou a deslocação das famílias para as cidades e tornou premente a educação generalizada, como forma de garantir melhor progresso social. Ao estudarem mais, as crianças mantiveram-se ligadas à família e passaram a entrar mais tarde no mercado do trabalho: estava criado o período de transição que hoje corresponde à adolescência”.

SAMPAIO, D., Lavrar o Mar. Um novo olhar sobre o relacionamento entre pais e filhos, Editorial Caminho, S.A., Lisboa, 2006, págs. 17 – 18 (adaptado).

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