"Todos
os princípios práticos materiais são, enquanto tais, no seu conjunto, de uma só
e mesma espécie e classificam-se sob o princípio geral do amor de si ou da
felicidade pessoal.
O
prazer proveniente da representação da existência de uma coisa, na medida em
que ele deve ser um princípio determinante do desejo dessa coisa, funda-se na
capacidade de sentir do sujeito, porque depende da existência de um objeto; por
conseguinte, pertence ao sentido (sensibilidade [Gefühl]), e não ao entendimento,
que exprime uma relação da representação a um objeto (Objekt), segundo
conceitos, mas não ao sujeito, segundo sentimentos. Portanto, ele é prático só
enquanto a sensação de agrado, que o sujeito espera da realidade do objeto
(Gegenstand), determina a faculdade de desejar. Ora, a consciência que um ser
racional tem do agrado da vida, que acompanha ininterruptamente toda a sua
existência, é a felicidade (Glückseligkeit), e o princípio de fazer desta
felicidade o supremo princípio determinante é o princípio do amor de si. Por
conseguinte, todos os princípios materiais que colocam a causa determinante do
livre arbítrio no prazer ou desprazer, que se deve sentir a partir da realidade
de um objeto qualquer, são inteiramente da mesma espécie, na medida em que, no
seu conjunto, pertencem ao amor de si ou da felicidade pessoal."
KANT, I., Crítica
da Razão Prática, Ed. 70, pp. 32-33.
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