terça-feira, 17 de junho de 2014

Teorema II


"Todos os princípios práticos materiais são, enquanto tais, no seu conjunto, de uma só e mesma espécie e classificam-se sob o princípio geral do amor de si ou da felicidade pessoal.
O prazer proveniente da representação da existência de uma coisa, na medida em que ele deve ser um princípio determinante do desejo dessa coisa, funda-se na capacidade de sentir do sujeito, porque depende da existência de um objeto; por conseguinte, pertence ao sentido (sensibilidade [Gefühl]), e não ao entendimento, que exprime uma relação da representação a um objeto (Objekt), segundo conceitos, mas não ao sujeito, segundo sentimentos. Portanto, ele é prático só enquanto a sensação de agrado, que o sujeito espera da realidade do objeto (Gegenstand), determina a faculdade de desejar. Ora, a consciência que um ser racional tem do agrado da vida, que acompanha ininterruptamente toda a sua existência, é a felicidade (Glückseligkeit), e o princípio de fazer desta felicidade o supremo princípio determinante é o princípio do amor de si. Por conseguinte, todos os princípios materiais que colocam a causa determinante do livre arbítrio no prazer ou desprazer, que se deve sentir a partir da realidade de um objeto qualquer, são inteiramente da mesma espécie, na medida em que, no seu conjunto, pertencem ao amor de si ou da felicidade pessoal."

KANT, I., Crítica da Razão Prática, Ed. 70, pp. 32-33.

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