"Será que a morte é temível?
Será que pode ser domesticada ou acolhida
quase como amiga? Encontramos pessoas que não têm medo da
morte, outras que, em sentido contrário, não
querem pensar nela por causa do terror que lhes inspira. E as perguntas a seu
respeito não faltam: porque é que a morte existe? O
que acontece na morte? Será que perderemos todo o contacto com as
pessoas que temos conhecido em vida? Porque é que a morte nos obriga a
abandonar tudo aquilo que fez a espessura dos nossos desejos e, mais
radicalmente, do nosso desejo de viver? Tive desde há
muito tempo a ideia, ou mais exatamente, a impressão
de que a morte é o último exame da vida, e mesmo o mais difícil.
Isso pressupõe que a morte é figurada como uma prova
que nos é imposta, a morte põe-nos à prova. É
estranho que o termo prova signifique ao mesmo tempo um exame, um periculum, uma espécie de perigo que não
se pode evitar nem contornar, mas também um ato ou um testemunho destinado a
apresentar provas."
Viver
a morte – sabedoria e tempo vivido,
Isabel Carmelo R. Renaud, in O fim
da vida, José Henrique Silveira de Brito (coord.), Publicações da Faculdade de Filosofia –
UCP, Braga, 2007, p. 145.

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