terça-feira, 17 de junho de 2014

A morte como o último exame da existência

"Será que a morte é temível? Será que pode ser domesticada ou acolhida quase como amiga? Encontramos pessoas que não têm medo da morte, outras que, em sentido contrário, não querem pensar nela por causa do terror que lhes inspira. E as perguntas a seu respeito não faltam: porque é que a morte existe? O que acontece na morte? Será que perderemos todo o contacto com as pessoas que temos conhecido em vida? Porque é que a morte nos obriga a abandonar tudo aquilo que fez a espessura dos nossos desejos e, mais radicalmente, do nosso desejo de viver? Tive desde há muito tempo a ideia, ou mais exatamente, a impressão de que a morte é o último exame da vida, e mesmo o mais difícil. Isso pressupõe que a morte é figurada como uma prova que nos é imposta, a morte põe-nos à prova. É estranho que o termo prova signifique ao mesmo tempo um exame, um periculum, uma espécie de perigo que não se pode evitar nem contornar, mas também um ato ou um testemunho destinado a apresentar provas."


Viver a morte – sabedoria e tempo vivido, Isabel Carmelo R. Renaud, in O fim da vida, José Henrique Silveira de Brito (coord.), Publicações da Faculdade de Filosofia – UCP, Braga, 2007, p. 145.

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