"O amor é um sentimento ou uma emoção? A mesma palavra abrange as duas dimensões. A emoção de amor é intensa, violenta,
desencadeia sensações
físicas fortes, o
coração/músculo é solicitado, sentimo-lo vibrar,
estremecer, bater… (É
daí que vem a expressão “O meu coração bate por ti”?)
O sentimento de amor constrói-se dia após dia, alimenta-se com a emoção de amor mas não se reduz a ela. Sentimo-nos contentes,
felizes com o outro numa relação
que já não precisa da presença permanente. O laço
existe, estamos prontos para atravessar juntos as dificuldades da vida. A
felicidade inscreve-se na duração.
No casal, cumplicidade e solidariedade tornam-se mais importantes que erotismo
e sedução. As palpitações cardíacas dão lugar a vibrações mais subtis. Como descrevê-las? Alguns
evocam um fogo no peito, formigueiros, uma sensação de onda que sobe, invade e se apaga
docemente deixando-nos saciados e serenos. A emoção de amor está muito presente no início de uma relação, na descoberta do universo do outro e
no fogo da paixão.
Surge de novo quando há
um reencontro depois de uma separação,
quando alguém que nos é próximo
está em perigo… mas
também no momento de um ramo de flores, de uma atenção terna e de cada vez que se pronunciam
estas deliciosas palavras: “Amo-te”.
Tanto o amor materno como o paterno são também sentimentos que se escoram numa
relação tecida dia após dia.
O sentimento de amor instala-se
progressivamente; para durar precisa de ser pontuado por emoções ternas."
FILLIOZAT, I., A Inteligência do Coração. Rudimentos de Gramática
Emocional,
Editora Pergaminho, 2001,
pp.185-186.

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