terça-feira, 17 de junho de 2014

O meu coração bate por ti

"O amor é um sentimento ou uma emoção? A mesma palavra abrange as duas dimensões. A emoção de amor é intensa, violenta, desencadeia sensações físicas fortes, o coração/músculo é solicitado, sentimo-lo vibrar, estremecer, bater… (É daí que vem a expressão “O meu coração bate por ti”?)
O sentimento de amor constrói-se dia após dia, alimenta-se com a emoção de amor mas não se reduz a ela. Sentimo-nos contentes, felizes com o outro numa relação que já não precisa da presença permanente. O laço existe, estamos prontos para atravessar juntos as dificuldades da vida. A felicidade inscreve-se na duração. No casal, cumplicidade e solidariedade tornam-se mais importantes que erotismo e sedução. As palpitações cardíacas dão lugar a vibrações mais subtis. Como descrevê-las? Alguns evocam um fogo no peito, formigueiros, uma sensação de onda que sobe, invade e se apaga docemente deixando-nos saciados e serenos. A emoção de amor está muito presente no início de uma relação, na descoberta do universo do outro e no fogo da paixão. Surge de novo quando há um reencontro depois de uma separação, quando alguém que nos é próximo está em perigo… mas também no momento de um ramo de flores, de uma atenção terna e de cada vez que se pronunciam estas deliciosas palavras: “Amo-te”.
Tanto o amor materno como o paterno são também sentimentos que se escoram numa relação tecida dia após dia.
O sentimento de amor instala-se progressivamente; para durar precisa de ser pontuado por emoções ternas."


FILLIOZAT, I., A Inteligência do Coração. Rudimentos de Gramática Emocional,
Editora Pergaminho, 2001, pp.185-186.


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