Em
sociedades moralmente sãs, o comum dos mortais segue a sua voz íntima, a maior
parte das vezes inconscientemente, não rouba nem mata, porque, num mundo de
pessoas responsáveis, a sua agulha magnética moral funciona normalmente. Em
épocas de revolução e de crise, pelo contrário […], a consciência moral
torna-se insegura e incerta.
[…]
A fuga à responsabilidade é o mais claro indício de falência de maturidade
moral. Só pela sua aceitação nos libertaremos, só pela participação responsável
na vida do Estado nos tornaremos cidadãos; só pela aceitação da responsabilidade
pelas nossas ações nos tornaremos pessoas. Mesmo os grupos e as nações só
alcançam o estádio de maturidade e se tornam, em sentido próprio, civilizados
quando satisfazem estas exigências. Porque é isto essencial? Pelo facto de, sem
fundamento moral, ordem alguma de grupos humanos ser possível, desde a família
ao Estado e à comunidade dos povos. Não só os fundamentos últimos do direito
são de espécie moral, mas também uma ordem social não se pode manter sem normas
éticas.
FRITZ Heinemann, A Filosofia do Século XX
(adaptado)
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