"Observamos que toda a cidade é uma certa
forma de comunidade e que toda a comunidade é constituída em vista de algum
bem. É que, em todas as suas ações, todos os homens visam o que pensam ser o
bem. É, então, manifesto que, na medida em que todas as comunidades visam algum
bem, a comunidade mais elevada de todas e que engloba todas as outras visará o
maior de todos os bens. Esta comunidade é chamada ‘cidade’, aquela que toma a
forma de uma comunidade de cidadãos.
(…)
A cidade, enfim, é uma comunidade completa,
formada a partir de várias aldeias e que, por assim dizer, atinge o máximo de
autossuficiência. Formada a princípio para preservar a vida, a cidade subsiste
para assegurar a vida boa. É por isso que toda a cidade existe por natureza, se
as comunidades primeiras assim o foram. A cidade é o fim destas, e a natureza
de uma coisa é o seu fim, já que, sempre que o processo de génese de uma coisa
se encontre completo, é a isso que chamamos a sua natureza, seja de um homem,
de um cavalo ou de uma casa. Além disso, a causa final, o fim de uma coisa, é o
seu melhor bem, e a autossuficiência é, simultaneamente, um fim e o melhor dos
bens."
Aristóteles,
Política, Coleção Veja, 1998, 1252a – 1253a.

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