A nossa geração quis dar o
melhor às crianças e aos jovens. Sonhámos grandes sonhos para eles. Procurámos
dar-lhes os melhores brinquedos, roupas, passeios e escolas. Não queríamos que
eles andassem à chuva, se magoassem nas ruas, se ferissem com os brinquedos
caseiros e vivessem as dificuldades pelas quais nós passámos.
Colocámos
uma televisão na sala. Alguns pais, com mais recursos, colocaram uma televisão
e um computador no quarto de cada filho. Outros preencheram o tempo dos seus
filhos com atividades, matriculando-os em cursos de inglês, informática,
música.
Tiveram
uma excelente intenção, só não sabiam que as crianças precisavam de ter
infância, necessitavam de inventar, correr riscos, dececionar-se, ter tempo
para brincar e encantar-se com a vida. Não imaginavam o quanto a criatividade,
a felicidade, a ousadia e a segurança do adulto dependiam das matrizes da
memória e da energia emocional da criança. Não compreenderam que a televisão,
os brinquedos manufaturados, a internet e o excesso de atividades bloqueavam a
infância dos seus filhos.
Criámos um mundo artificial para as
crianças e pagámos caro por isso. Produzimos sérias consequências no território
das suas emoções, no anfiteatro dos seus pensamentos e no solo das suas
memórias.
CURY, A., Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, Editora Pergaminho Lda., 2004, pp.
11-12.

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