"É difícil o momento em que nasce a consciência moral. O seu despertar é o da razão e a razão não é insuflada do exterior para a criança num determinado instante. Traz a razão em si desde o nascimento, mas como uma aptidão privada ao princípio das condições do seu exercício. A
A sociedade é o lugar onde nasce a consciência. Não a cria mas ajuda-a a constituir-se. O adulto é respeitado e temido pela criança e as suas ordens são, para ela, o próprio dever. Com Piaget, podemos distinguir dois tipos de relações sociais: "as relações sociais de coação, que consistem em impor do exterior ao indivíduo um sistema de regras de conteúdo obrigatório, e as relações sociais de cooperação, cuja essência consiste em fazer surgir no interior dos espíritos a consciência das normas ideais que comandam todas as regras". As primeiras fundam-se num respeito unilateral, as segundas num respeito mútuo. O autor opõe à ação dos pais a exercida sobre a criança pelo grupo dos seus coetâneos, ação de cooperação mais apta a suscitar a reciprocidade e a autonomia. Seja como for, a tarefa de educação consistirá em conduzir a criança da coação suportada ao dever cumprido e amado, do respeito cedo ao respeito mútuo, das ordens impostas à cooperação. E isto não é impossível mesmo no seio da família.
Meio social, exemplos, tradições, mas também grau de inteligência e nível de moralidade, constituem as causas contingentes que moldam uma consciência. Nenhum escândalo há, pois, em ver as diferentes conceções que, segundo os lugares e os tempos, os homens têm do dever. O que permanece invariável é a ideia de que há um dever; o que varia é o conteúdo do dever, mas quem é dotado de razão tem necessariamente o sentimento de uma ordem que se impõe à sua conduta."
Gabriel Madinier, La conscience morale




