«(…) Levada
ao limite, a tolerância “acabaria por negar-se a si mesma” (…), deixando as
mãos livres àqueles que querem suprimi-la. A tolerância, portanto, só vale
dentro de certos limites, que são os da própria salvaguarda e da preservação
das suas condições de possibilidade. É o que Karl Popper denomina o “paradoxo
da tolerância”: “Se formos de uma tolerância absoluta, mesmo como os
intolerantes, e não defendermos a sociedade tolerante contra os seus assaltos,
os tolerantes serão aniquilados e com eles a tolerância.” Isto só vale enquanto
a humanidade é aquilo que é, conflituosa, passional, dilacerada, mas por isso
mesmo tem valor. Uma sociedade onde fosse possível uma tolerância universal
deixaria de ser humana e, de resto, não precisaria de tolerância. Ao contrário
do amor e da generosidade, que não têm limites intrínsecos, nem finitude que
não a nossa, a tolerância é, por conseguinte, essencialmente limitada: uma
tolerância infinita seria o fim da tolerância!»
Comte-Sponville, A., Pequeno
Tratado das Grandes Virtudes, Martins Fontes, 1999.

É verdade que a tolerância nem sempre é o mais desejável. Em nome da tolerância muitos povos foram subjugados e perseguidos.
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