terça-feira, 21 de abril de 2015

Indução e Dedução, que divergências?


«O propósito básico dos argumentos sejam eles dedutivos ou indutivos, é obter conclusões verdadeiras a partir de premissas verdadeiras. (...) Conforme já tivemos ocasião de notar, os argumentos dedutivos válidos satisfazem esse requisito. Os argumentos indutivos, no entanto, têm um propósito adicional. São elaborados com a finalidade de estabelecer conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo que o conteúdo das premissas. Para conseguir esse objetivo, os argumentos indutivos sacrificam o carácter de necessidade que têm os argumentos dedutivos. Ao contrário do que sucede com um argumento dedutivo e válido, um argumento indutivo correto pode. Perfeitamente, admitir uma conclusão falsa, ainda que as suas premissas sejam verdadeiras. Mesmo não podendo garantir que a conclusão de um argumento indutivo será verdadeira quando as premissas são verdadeiras, podemos afirmar que as premissas de um argumento indutivo correto sustentam ou atribuem uma certa verosimilhança à sua conclusão. Quando as premissas de um argumento dedutivo e válido são verdadeiras, a sua conclusão deve ser verdadeira. Quando as premissas de um argumento indutivo correto são verdadeiras, o melhor que podemos dizer é que a sua conclusão é provavelmente verdadeira. A ideia básica é esta: na indução contrariamente ao que sucede na dedução, não estamos certos de que a conclusão será sempre verdadeira, quando as premissas são verdadeiras.
(...) O grau de sustentação que as premissas de um argumento indutivo conferem à conclusão pode ser alterado por evidências adicionais, acrescentadas ao argumento sob a forma de premissas novas que figurem ao lado das premissas inicialmente consideradas. Como a conclusão de um argumento indutivo pode ser falsa mesmo quando as premissas são verdadeiras, a evidência adicional, admitindo que relevante, pode capacitar-nos a determinar com mais precisão se a conclusão é, de facto verdadeira. Este é um traço peculiar dos argumentos indutivos que não é partilhado pelos indutivos.»


W: Salmon, Lógica, Editora Guanabara, pp. 77-78

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