
«O propósito básico dos argumentos sejam eles dedutivos
ou indutivos, é obter conclusões verdadeiras a partir de premissas verdadeiras.
(...) Conforme já tivemos ocasião de notar, os argumentos dedutivos válidos
satisfazem esse requisito. Os argumentos indutivos, no entanto, têm um
propósito adicional. São elaborados com a finalidade de estabelecer conclusões
cujo conteúdo é muito mais amplo que o conteúdo das premissas. Para conseguir
esse objetivo, os argumentos indutivos sacrificam o carácter de necessidade que
têm os argumentos dedutivos. Ao contrário do que sucede com um argumento
dedutivo e válido, um argumento indutivo correto pode. Perfeitamente, admitir
uma conclusão falsa, ainda que as suas premissas sejam verdadeiras. Mesmo não
podendo garantir que a conclusão de um argumento indutivo será verdadeira
quando as premissas são verdadeiras, podemos afirmar que as premissas de um
argumento indutivo correto sustentam ou atribuem uma certa verosimilhança à sua
conclusão. Quando as premissas de um argumento dedutivo e válido são
verdadeiras, a sua conclusão deve ser verdadeira. Quando as premissas de um
argumento indutivo correto são verdadeiras, o melhor que podemos dizer é que a
sua conclusão é provavelmente verdadeira. A ideia básica é esta: na indução
contrariamente ao que sucede na dedução, não estamos certos de que a conclusão
será sempre verdadeira, quando as premissas são verdadeiras.
(...) O grau de sustentação que as premissas de um
argumento indutivo conferem à conclusão pode ser alterado por evidências
adicionais, acrescentadas ao argumento sob a forma de premissas novas que
figurem ao lado das premissas inicialmente consideradas. Como a conclusão de um
argumento indutivo pode ser falsa mesmo quando as premissas são verdadeiras, a
evidência adicional, admitindo que relevante, pode capacitar-nos a determinar
com mais precisão se a conclusão é, de facto verdadeira. Este é um traço
peculiar dos argumentos indutivos que não é partilhado pelos indutivos.»
W:
Salmon, Lógica, Editora Guanabara, pp. 77-78